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Montenegro, a “montanha negra”

Posted By: tatiana on ago 29, 2012 in Montenegro, Por onde andei

Viajar é sempre bom, sozinho ou em grupo. Eu nunca deixei de viajar só porque não tinha companhia. A viagem solo é transformadora, você está mais aberto a vivenciar a cultura local, a falar com estranhos, experimentar novas comidas e visitar lugares diferentes. Sozinho você é o maestro do seu destino e pode improvisar o quanto quiser, porque o espetáculo é todo seu.

Só que existe um outro aspecto sobre viajar sozinho e de moto: a segurança. Se você se acidentar, acabar seu combustível, passar mal ou dar uma pane na moto, você está totalmente à deriva, e as consequências podem ser fatais. O ônus e o bônus. Sozinho, você precisa contar com o imponderável para evitar surpresas desagradáveis. E mesmo assim, as surpresas muitas vezes são inevitáveis. Como foi meu caso em Montenegro.

Montenegro, também conhecida como Crna Gora, significa literalmente “montanha negra”, é uma pequena e montanhosa república situada nos Balcãs. As montanhas desse país incluem algumas das áreas mais acidentadas na Europa e uma das mais erodidas na Península Balcânica durante o último período glacial. As estradas são lindas e te levam para dentro de um deslumbrante mundo de paredões verticais.

Montenegro e suas estradas

Sobre o Canyon e o rio Tara ergue-se uma extraordinária ponte, obra do arquiteto sérvio Mijat Trojanovič

Montanhas são entidades à parte, imponentes e poderosas. Para os gregos, é a morada dos deuses. Para os nepaleses, o Everest é a deusa mãe da terra. Para os mesopotâmicos a salvação, uma vez que Noé encalhou no monte Ararat depois do dilúvio. Mas para mim, foi quase um caminho sem volta.

Tudo aconteceu muito rápido em uma estrada linda, já estava escurecendo e ainda faltavam umas duas horas para chegar no meu destino. Notei uns pedregulhos no asfalto e pensei no risco de desmoronamento. De repente, vi a placa que alertava para eventuais deslizamentos naquela área. A estrada era pequena e estreita. Não passava nenhum carro, gente, bicicleta, nada. Além disso, não havia um guard rail, só um grande precipício.

Foi quando o inimaginável aconteceu: uma rocha gigante se desprendeu da montanha, rolou, quicou no chão como uma bola de futebol em alta velocidade e atingiu a lateral do meu corpo. Não sei como não fui arremessada precipício abaixo. Dentro desse absurdo da probabilidade tive sorte. O impacto foi em um osso grande, de proteção – o ilíaco. Poderia ter me acertado em qualquer outro lugar do corpo, nesse caso, seria fratura na certa. A pedra poderia também ter batido no pneu da frente, de trás ou qualquer outro lugar da moto. Se isso tivesse acontecido, fatalmente teria me acidentado.

O impacto foi tão forte que quase tombei, mas consegui segurar. Senti uma dor horrível, como se tivesse quebrado a bacia. Resolvi não parar com medo de não conseguir subir na moto novamente. Segui viagem, agonizando de dor, com muito medo da escuridão e de outros desmoronamentos.

Felizmente consegui chegar no hotel. Assim que entrei no quarto, tirei toda aquela roupa pesada de moto e me deparei com o pai de todos os hematomas. Bem ali, na minha perna. Graças ao equipamento de proteção, o estrago não foi maior.

Foto da perna, tirada de cima para baixo

Tive que atrasar a viagem. Fiquei 2 dias de molho, imóvel na cama. 48 horas de muito gelo, pomada, compressas de água quente, massagem, vinagre de maçã e clara de ovo cru. Além, claro, de muitas preces e agradecimentos a todos os deuses, santos, orixás e entidades espirituais por estar viva.

 

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